quarta-feira, 1 de abril de 2009

Navios naufragados: um dos mergulhos por cultura e história.

Corveta Ipiranga - V17 está no fundo do mar
Um convite para conhecer parte da história do Brasil


Texto: Vivian Schetini
Fotos: Divulgação/ Equipe Diver’s Quest
Revista Mar & Mar

Fernando de Noronha é um paraíso para mergulhadores que gostam de aventura. Nos mares de Noronha existem embarcações naufragadas que revelam um pouco da história do Brasil. É numa dessas embarcações que a Deep Quest Team, da Diver's Quest, vai mergulhar a mais de 50 metros e visitar a Corveta Ipiranga V17.

Corveta é um navio de guerra brasileiro que afundou em Fernando de Noronha em outubro de 1983, após se chocar com a Cabeça da Sapata, rocha localizada ao Largo da Ponta da Sapata. A Ipiranga, como era conhecida, deixava de navegar como um navio de patrulhamento e apoio já obsoleto e envelhecido, para entrar definitivamente na história, como um dos melhores e mais famosos pontos de mergulho do mundo.

Segundo o mergulhador e membro da equipe, Eduardo Kossatz, foi escolhida a Corveta, pois ela “encontra-se em um dos melhores pontos de mergulho do Brasil, pela visibilidade e temperatura, pela própria corveta inteira e intacta em sua posição como se estivesse navegando”. Ele conta que é muito importante preservar esse tipo de embarcação por contar parte da história do Brasil e ainda servir de habitat natural de diversas espécies marinhas que passam a ocupá-la.

Eduardo contou que a idéia surgiu em uma visita da equipe a Noronha. “Um de nossos instrutores, o Ricardo Pinto, deu a idéia de iniciarmos um treinamento até termos condições de fazer este tipo de mergulho, já que naquela data nós não tínhamos técnica e certificação para tal. Com o passar do tempo fundamos o grupo Deep Quest Team, para fazer mergulho técnico”.

Para fazer mergulhos nessa profundidade é preciso muita técnica, explica Eduardo. “São mergulhos fundos e longos com o uso de vários cilindros (até quatro por pessoa) com misturas diferentes (trimix/ nitrox/ oxigênio puro) e paradas descompressivas prolongadas e no nosso caso com penetração na Corveta, o que requer maior treinamento, técnica e cuidados”. Além disso, o mergulhador ressalta que a atenção maior deve ser nas duplas e no retorno ao cabo para a subida, já que cada um tem sua própria iluminação e reservas das mesmas.

Os riscos desse tipo de mergulho a essa profundidade são referentes à preparação física, e manutenção de equipamentos. Para que nada saía errado, a equipe se preparou no Rio de Janeiro. “Fizemos mergulhos aqui no Rio de Janeiro; na Ilha Rasa, no naufrágio do Buenos Aires e também no ct28, naufrágio recente de um contra-torpedeiro desativado da Marinha do Brasil, próximo as Ilhas Maricas”.

Saiba mais sobre a Corveta Ipiranga - V17.O navio está pousado corretamente no fundo do mar, mantendo toda sua estrutura original. Na proa, onde geralmente está fixado o cabo de descida, existe uma escotilha aberta. No primeiro pavimento da embarcação existem duas torres laterais de metralhadoras, sem as armas que foram retiradas antes do afundamento.

Na parte mais alta há a cabine de comando, por onde se pode entrar na estrutura da Corveta. Dentro dela, ainda há vários instrumentos de navegação, como telegrafo de máquina, timão, cúpula de radar e rádio. Uma das vigias está aberta com vista para a proa da Corveta.

As condições de profundidade do naufrágio mantiveram a estrutura bem conservada e por isso a exploração do interior do navio é perfeita. O mergulhador pode visitar as cabines de rádio, a cabine dos oficiais, a enfermaria, banheiros, e também cozinha, alojamento. Um verdadeiro passeio por parte da história do Brasil. O barco se encontra a 63 metros de profundidade e por isso precisa de técnica para fazer esse tipo de mergulho.

Um comentário:

  1. Oi amiga!!! Hoje que tive tempo de ler e comentar!!!
    Amei amiga!!! Tudo perfeito!!!!
    Bjsss

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