quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mineiro é doido com o Mar

Assim começou a conversa com o maior cartunista que o Brasil já conheceu: Ziraldo.


Em 24 de outubro de 1932, em Caratinga, interior de Minas Gerais, nascia Ziraldo Alves Pinto, cartazista, jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista, pintor e escritor. Mais velho de sete irmãos, seu nome é uma combinação de Zizinha e Geraldo, seus pais. Ziraldo desenha desde que se entende por gente. “Quando criança desenhava em todos os lugares: na calçada, nas paredes, na sala de aula”. Outra de suas paixões, que vem da infância, é a leitura. Lia tudo que lhe caía nas mãos: Monteiro Lobato, Viriato Correa, Clemente Luz (O Mágico), e todas as revistas em quadrinhos da época. No momento em que entrou em contato com as páginas do primeiro “gibi”, sentiu que ali estava o seu futuro.

Em 1949, foi com o avô para o Rio de Janeiro, onde cursou dois anos no MABE (Moderna Associação de Ensino) e, no ano seguinte, voltou a sua cidade para fazer o Tiro de Guerra, mas o amor pelo mar e pelo Rio de Janeiro já o havia marcado para sempre. Passados oito anos, dos quais sete foram de namoro, casou-se com Vilma Gontijo, com quem teve três filhos, Daniela, Fabrízia e Antônio, que lhe deram seis netos.

“Mineiro é doido com o mar, e por isso sempre alugávamos uma casa para passar as férias com as crianças. Quando fui com Vilma à Ilha Grande, pela primeira vez, nos apaixonamos pelo lugar” lembra Ziraldo, que lá comprou um terreno, em 1977, construindo uma casa enorme. “Coisa de maluco, a casa tem seis quartos, piscina, um riacho e deu um trabalhão concluir a obra, mas era a realização de um sonho”, esclarece.

Ele conta que, na época, a Ilha Grande era calma, quase ninguém conhecia e não tinha tantos turistas como hoje. A paixão pelo lugar é tamanha que Vilma, sua falecida esposa, nele está enterrada. “Ela gostava muito de lá e como era a alma da casa, meus filhos e eu resolvemos
deixá-la descansar num paraíso de verdade”.

Atualmente, é na casa que a família se reúne para as festas de fim de ano. “Em outras épocas
aproveitamos pouco e estou até pensando em transformá-la em uma pousada mas, no Ano Novo, recebo os amigos de graça”, brinca Ziraldo. O cartunista tem duas lanchas que utiliza para desfrutar das belezas da Ilha. “É muito bom passear pelas praias. Meus filhos e netos também adoram. Adoram tanto que, quando moravam no exterior e vinham ao Brasil, seguiam direto para lá, antes mesmo de passar em casa, no Rio de Janeiro”, lembra.

A carreira de Ziraldo começou na revista “Era Uma Vez”, com colaborações mensais. Ele fez cartazes para inúmeros filmes brasileiros, como Os Fuzis, Os Cafajestes, Selva Trágica, entre outros. Foi no Rio de Janeiro que se consagrou um dos artistas gráficos mais conhecidos e respeitados em seu país e fora dele, realizando o sonho de publicar histórias em quadrinhos, como a Turma do Pererê, primeira revista brasileira, do gênero, feita por um só autor. Mas, foi a partir de 1979, que passou a dedicar mais tempo à antiga paixão de escrever para crianças, começando com O Planeta Lilás.

Entretanto, sua grande consagração veio com o Menino Maluquinho, nascido em 1980, que se transformou no maior sucesso editorial da Bienal do Livro de São Paulo. Adaptado para o teatro, cinema e web, ganhou versão para ópera infantil, feita pelo maestro Ernani Aguiar. O Menino Maluquinho virou símbolo brasileiro e pode ser encontrado em revistas, tirinhas e em site próprio site: www.meninomaluquinho.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário