Duas atividades completamente diferentes marcam a vida desse apaixonado pelo mar. Médico navegador, Arthur Mac Laren uniu o amor pelas águas à viabilização de seu projeto de doutorado intitulado “Estudos morfológicos do cérebro de primatas tratados com o agente antipsicótico atípico Clozapina”.
Arthur Mac Laren é um médico paulista, nascido em 30 de setembro de 1958. Apaixonado pelo mar, começou a velejar aos oito anos acompanhando seu pai, Willian Mac Laren, com quem trabalhou por três anos, depois de concluir o curso de medicina pela Faculdade de Medicina de Petrópolis, em 1985. Geria o Grupo Mac Laren, cuja principal atividade era a construção naval. “Estudei na Escola Sagres de Navegação e tenho a licença de Capitão Amador”, orgulha-se. “Retornei à Medicina em 1989 e, ao longo do ano seguinte, fiz pós-graduação em Endocrinologia, no Hospital da Lagoa, RJ”, explica.
Mac Laren começou a velejar emum sloop de 30 pés em aço, passando por um Velamar 33 e um Skye 51. “Velejei pela costa brasileira, pelo Caribe e também na Polinésia, com a família Schurman (com quem desenvolvi estreita relação no início de sua aventura náutica, quando morava em Fort Lauderdale, FL, EUA)” conta.
Hoje, Arthur dedica parte do seu tempo ao projeto Nicky Boy, que foi desenvolvido em conjunto com engenheiros navais da UFRJ e é baseado na recém criada Classe Open 30, exceto pelo fato de ter 33 pés (10m), “fator que julguei crucial para conseguir um pouco mais de conforto para as longas travessias”, diz ele.A idéia era fazer a volta ao mundo, mas o médico conta que teve problemas na primeira tentativa. “Quando estava em João Pessoa, houve uma pequena explosão a bordo que fez com que eu perdesse a capacidade de cozinhar”. O fato obrigou-o a mudar de rota. Ele navegou até Cabo Verde, na África, de onde voltou para o Rio de Janeiro. “Foram 56 dias de viagem, sozinho”, afirma. Ele conta, também, como foi passar tantos dias em alto mar sem a companhia de ninguém. “Muito sofrimento. O barco não estava completamente preparado. A solidão associada à falta de comida e do leme, que também quebrou durante a travessia, deixou a viagem ainda mais severa”, lembra.
“O Projeto Nicky Boy é uma iniciativa pessoal que tem por objetivo atrair financiamento privado para o trabalho que desejo desenvolver em meu Doutorado, estudando a esquizofrenia, severo transtorno mental que acomete 1% da população mundial”, esclarece Arthur Mac Laren Nicky Boy é uma construção em strip-planking (madeira com fibra de vidro) sem compartimentos estanques e, sim, blocos de garrafas PET, para o aumento da reserva de flutuabilidade.
Seu interior possui um toalete químico e uma pequena cozinha. A central de navegação tem ampla mesa, painel de instrumentos e permite observação do exterior, em 270º. Outro detalhe interessante é uma estação de tormenta, onde uma poltrona anatômica, com amortecimento,
permite o repouso sob condições de mar extremas. “A motorização ainda não está definida, sendo considerado um simples motor de popa de 15hp ou motor híbrido elétrico / gasolina”, detalha o navegador, que completa dizendo que “a obtenção de energia será por turbina rebocável e por gerador a gasolina”.
Atualmente, Arthur mora com o filho Nicholas (daí o nome do projeto) em Angra dos Reis, onde atua como endocrinologista. “Em meu tempo vago velejo por esta região paradisíaca, com suas 365 ilhas, a bordo do Marokau, meu Velamar 22”.
Seu próximo projeto é correr a regata Santos – Rio, no final de outubro, pela primeira vez em versão solitária.
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