segunda-feira, 30 de março de 2009

Milhões em investimentos para preservar a natureza

Matéria publicada em 05/06/2007

Petrobras Biodiesel e Hbio são as apostas para reduzir os impactos ambientais

VIVIAN SCHETINI ESPECIAL PARA O JORNAL DO COMMERCIO

Ainda este ano, Petrobras pretende ativar 3 unidades de produção de biodiesel, como uma das ações para preservar o meio ambiente. Foram investidos US$ 60 milhões na construção dos centros e até 2011 os investimentos podem ultrapassar US$ 700 milhões. A capacidade de produção das unidades será de 171 mil metros cúbicos po ano. Mas o gerente de desempenho em segurança, meio ambiente e saúde da Petrobras, Luis César Stano comenta que "a meta é chegarmos em 2011 com uma produtividade em torno de 850mil metros cúbicos por ano".

O objetivo pode soar ambicioso á primeira vista, mas combina com a política de diversificação da estatal e com suas prioridades ambientais. Em palestra na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, o gerente de Desenvolvimento Energético da Petrobras, Mozart de Queirós, chegou a dizer que a empresa busca a liderança mundial em biocombustíveis, em prazo relativamente curto. Para isso, será preciso investir em biodiesel, Hbio, álcool e novas tecnologias, como a eletrólise do bagaço.

Outra opção com previsão de aplicação também em 2007 é, no processo de produção do diesel, adicionar 20% de óleo vegetal renovável, "desta forma iremos reduzir o consumo de petróleo. O Óleo vegetal também emite CO2, porém ele apenas vai devolver à natureza o gás que a planta retirou. Não aumentando a concentração do gás carbônico na atmosfera" explica Stano.

Esse processo recebeu o nome de Hbio, e sua produção tem a meta de alcançar 425 mil metros cúbicos por ano até 2011. "Nesse processo será produzido um diesel com menor teor de enxofre. Essa redução também será benéfica para o meio ambiente", comenta. Estudos também giram em torno do hidrogênio, considerado combustível do futuro. "A Petrobras tem uma linha de pesquisa sobre hidrogênio para sua distribuição" afirma o gerente, e completa que a "comercialização do produto deve ser coisa para longo prazo, mas que já está sendo pensada como ação para redução de emissão de poluentes aqui no Brasil e em outros países do mundo. Acreditamos que o hidrogênio será uma das principais soluções para problemas de poluição atmosférica".

Compromisso de preservação ambiental é um dos pilares estratégicos da Petrobras. A empresa tem uma crescente conscientização de que para haver crescimento é preciso preservar o meio ambiente. E para isso investe anualmente cerca de US$ 570 milhões em meio ambiente. No caso da Petrobras essa necessidade é ainda mais visível já que seu produto é algo que pode degradar a natureza. Luis César Stano comenta que pensando nisso a empresa mantém centros de defesa ambiental preparados para agir rapidamente em casos de vazamento, "temos uma equipe pronta para reduzir impactos, recolher o óleo em caso de algum acidente, e principalmente recuperar danos causados".

Luis lembra que um dos programas de sucesso existentens até hoje que foi implantado pouco antes do famoso vazamento de óleo na Baía de Guanabara em 2001. O programa Pégasus, que gere projetos e obras destinadas a minimizar riscos de vazamento, administra uma rede de proteção para evitar conseqüências graves em caso de acidente e promove ações preventivas de segurança ambiental. O gerente explica o sucesso desse programa que reduziu drasticamente os índices de vazamento, principalmente em dutos da Petrobras. "Tínhamos vazamentos em torno de 6mil m3 por ano, hoje esse número reduziu para 293 m3, e se tornou referencia internacional como um dos menores índices. Houve investimentos maciços em sistemas automatizados que detectam e travam vazamentos rapidamente". Atuação na Amazônia exige delicado equilíbrio.

A empresa tem a consciência sobre a preservação ambiental, até como forma de retribuir ao ecossistema aquilo que ele lhe oferta. Já que os principais produtos são extraídos da natureza através de atividades de risco inerentes à indústria de petróleo e gás na Amazônia. Segundo o gerente geral de Pesquisa e Desenvolvimento de Gás, Energia e Desenvolvimento Sustentável do Cenpes, Ricardo Castello Branco,"Não existe nada igual desse porte na Amazônia a cargo de brasileiros. Por intermédio do programa multidisciplinar de pesquisa socioambiental (Piatam), são monitoradas as atividades de produção e transporte de petróleo e gás natural oriundos de Urucu, a maior província petrolífera terrestre brasileira, situada na Floresta Amazônica e pertencente à Petrobras.

Além disso, são estruturados e disponibilizados dados ambientais sobre os ecossistemas amazônicos em que a Petrobras atua, em especial no eixo ao longo do Rio Solimões que fica entre Urucu-Coari e Manaus. A Companhia está presente ali por intermédio do Terminal do Solimões, da Refinaria Isaac Sabbá e de um poliduto de 280 km. Com base nesses dados, são avaliados os riscos das atividades desenvolvidas na região, de modo a reduzir impactos ao meio ambiente e às comunidades do entorno. E todos se beneficiam, já que o conhecimento gerado é retornado à sociedade".

A produção de Urucu gira em torno decerca de 53 mil barris de petróleo por dia (o segundo maior volume de óleo produzido no Brasil em um só poço terrestre), 9,9 milhões de metros cúbicos de gás natural e 1,2 tonelada de GLP, a qual abastece toda a região amazônica e parte do Nordeste.

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